Capítulo 4. Sabor perigoso

Antes de fechar a porta atrás de si, você havia se certificado de conferir o penteado no espelho do banheiro e passar um gloss labial sem cor. Há alguns meses sem sair, e principalmente sem ir a encontros com seu namorado, você sentia um leve aperto no estômago de empolgação. Queria estar bonita perto dele. Desde que estão juntos, você ama sentir o olhar de Getō inteiramente dedicado a você, por mais egoísta e adolescente que isso possa parecer.

Você resolve não sair com o coque que usou no início da manhã, então faz, dessa vez, Getō lhe esperar enquanto vasculha seus cremes no armário e, com um borrifador, molha partes do cabelo enquanto vai espalhando o creme de pentear e dando formato aos cachos. O resultado final você já conhece: o cabelo parece mais curto com o bendito fator encolhimento, mas o verdadeiro volume dele se revela. ‘Tudo bem! Vai ficar ótimo.’, você pensa enquanto finaliza decidindo o lado de dividir o cabelo. Lava as mãos e guarda o que utilizou. Sai do banheiro e caminha até a sala, encontrando Getō com o olhar distraído para a rua através da janela.

Desde que chegou na noite anterior, aquele olhar distante e parecendo perdido ou entristecido de Getō voltava ao semblante do rapaz, e não passava despercebido por você. Você deseja tocar no assunto com ele, mas acha ser muito cedo para fazê-lo cutucar feridas recentes dos últimos acontecimentos. ‘Teremos chance de conversar sobre isso. Por enquanto irei encher ele de boas memórias.. quem sabe não é o que falta.’, o pensamento surge enquanto você se aproxima dele e o chama calorosamente:


– Sugutō, agora sim! - você sorri e pega seu passaporte e um pequeno porta-cartões com os cartões do trem e do metrô e algum dinheiro, colocando dentro do bolso do vestido branco.


– Está linda, pequena. - ele fala depois de te olhar por alguns segundos, levantando do sofá em seguida e sorrindo com doçura.


Os elogios dele, embora frequentes quando vocês estão a sós, sempre te pegam de surpresa, sendo incapaz de disfarçar uma certa timidez que nem é típica de você. Getō tinha vestido um suéter preto de algodão e uma calça mais justa do que as costumeiras dele, mas na mesma cor. Os cabelos lisos parcialmente presos, caiam sobre a nuca e alcançavam o início dos ombros.


– Você está lindo também.. - foi a única coisa que você conseguiu responder fitando-o. A resposta dele foi um sorriso largo de divertimento.



Fora de casa, vocês caminham lado a lado e Getō não demora a buscar sua mão esquerda e entrelaçar os dedos grandes dele nos seus, longos e esguios. 



O caminho até a estação de trem é rodeado da área comercial e mais ativa de Tachikawa, com lojas, pontos de ônibus e toda sorte de pessoas circulando. A conversa é o entretenimento até o local, com Getō comentando as maldições recentes que havia conseguido absorver e você lembrando da lista de atividades que Yaga sensei já tinha planejado para a retomada do treinamento. Você levanta a cabeça e olha na direção de Getō, o rosto sendo banhado por raios de sol, as pálpebras que vez ou outra se apertavam em uma linha expressiva quando ele ria com espontaneidade ou quando o sol atingia mais os olhos castanhos dele. Sua mão inconscientemente aperta com carinho àquela segurando a sua e Getō olha para você lançando uma piscada, fazendo seu coração acelerar e um sorriso despontar.

Na estação você aproveita para recarregar seu cartão de passe do trem antes de embarcarem rumo à estação de Shinjuku. O horário não trazia um amontoado de passageiros, o que permitiu que vocês dois sentassem próximos, mantendo as mãos dadas. 

O caminho percorrido te distrai com você olhando pela vidraça e questionando Getō sobre as possíveis mudanças que poderiam ter ocorrido nos últimos 3 meses na Grande Tóquio. Era sempre assim desde que você começou a vivenciar a hibernação. A vida transcorria para o restante das pessoas, enquanto você estava lá, adormecida, o corpo fraco alimentado por energia, a mente dissipada dos pensamentos, a casa protegida com uma barreira, e ocasionalmente sendo visitada por alguém. Hibernação era até um nome atenuado para descrever seu estado, porque mais parecia que você entrava em uma câmara de congelamento do que propriamente apenas dormir. Reduzir a zero as necessidades fisiológicas e de higiene, e ser dispensável da necessidade de comer ou se hidratar, era algo pouco compreendido que pudesse ser realizado por um mortal, humano ou não. Mas lá estava você.

Na metade do caminho você fica mais quieta, apenas observando tudo ao seu redor e curtindo a companhia de Getō que segurava calorosamente sua mão. Você toma um leve susto ao sentir a cabeça do homem pender para o lado e tocar o topo da sua cabeça. Ele havia cochilado, o que fez você esboçar um breve sorriso ao erguer, com esforço, o rosto e, olhando através da janela de vidro posicionada a frente, perceber que os olhos dele estavam fechados e a fronte relaxada, embora a mão grande se mantinha aconchegando a sua com firmeza. Você ergue a mão direita e alcança o lado livre do rosto dele, acariciando, enquanto procura se manter o mais imóvel possível para que ele não acorde até que tenham chegado ao destino.


⚜️⚜️⚜️⚜️


Os minutos passaram e você avistou a chegada na região de Shinjuku. Tocou com o indicador na bochecha de Getō, chamando o nome dele para que despertasse.


– Ei, Sugutō. Chegamos. Acorda dorminhoco.. - você brincou sussurrando pra ele.


Getō desperta, o olhar estreitado e ligeiramente perdido. Com a mão livre ele limpa o canto dos olhos e se prepara para levantar ao perceber que a estação destinada a vocês se aproxima.


– Dormi tanto assim? - ele questiona lembrando da expressão usada por você.


– Não… Apenas o suficiente pra achatar um pouco minha cabeça. - você ri enquanto faz um movimento circular no topo de sua própria cabeça.


– Ah, então eu te fiz um favor, não foi? - o olhar dele é de clara zombaria.


– Não sei se alguém tão orelhudo assim está em condições de falar do tamanho da minha cabeça.. - você segue dando ainda mais corda a brincadeira com ele. – Será que não foram suas orelhas que pesaram demais, Suguru?


Vocês já se levantavam, caminhando para a porta mais próxima de desembarque do trem, quando é surpreendida com a mão livre de Getō apertando sua bochecha após escutar sua persistente provocação:


– Orelhudo, né? Pois vou lembrar disso quando uma certa pessoa estiver procurando minhas orelhas pra acariciar enquanto pega no sono… - ele comenta ao sorrir enquanto conduz você para fora do trem, após a liberação para o desembarque ter sido anunciada.


Você finge estar ofendida com a fala dele e faz uma careta:


– Tá falando o quê se você também relaxa e dorme? - sua resposta sai seguida por uma risada não contida. 


Getō ri junto e te envolve num abraço rápido conforme vocês caminham saindo do terminal do trem.


Shinjuku está com fluxo intenso de pessoas para um início de tarde de domingo. Mesmo sendo um local de cruzamentos e trocas de rotas de transportes para outras partes da província, você percebe uma pequena mudança acontecendo na dinâmica da população. Vocês caminham cerca de 7 minutos até a estação de metrô da região. Getō havia lhe prevenido durante a conversa que fariam mais um percurso de quase 30 minutos até a Estação Monzen-nakacho antes de chegarem ao bairro de fato, onde ele confirmou ter a tal comida. 

Dentro do novo transporte, já não haviam locais disponíveis para sentar. Getō num movimento natural a envolveu com um dos braços e com o outro buscou apoio nas barras de sustentação do veículo. Vocês conversam mais algumas coisas triviais como lojas interessantes que ele descobriu ou bandas que lançaram discos novos e ele estava escutando. Getō, agora menos sonolento, demonstra vez ou outra um olhar entristecido, quando o repertório de conversa de vocês cessava. Parecia perdido em pensamentos, que você até sabia identificar a possível causa, mas que ainda não tinha ideia da profundidade deles. 

Descendo no local indicado por ele, vocês caminham, com Getō guiando, até chegarem a um restaurante de fachada simples, porém convidativa. O Fukagawajuku lhe pareceu um pequeno restaurante familiar. Grandes pedras de concreto formavam um caminho do centro até a porta; bancos em madeira escura dispostos lado a lado até a entrada; nas laterais, pequenas plantas e árvores de troncos finos e folhagens delicadas acompanhavam a trilha até o recinto. Lá dentro, encontrou um ambiente calmo - talvez por conta do horário - e mesas para 4 pessoas. 



O clima do lugar lhe empolga, fazendo seus olhos brilharem, e ajudam a instigar seu apetite para o cardápio de delícias que ansiava desfrutar com Getō.

Vocês sentam em um local que permitia a visão parcial da área externa do restaurante e uma discreta a claridade servindo como guia do correr das horas. Um homem aparentando cerca de quarenta anos de idade, vestindo camisa e calça em tom bege e um avental na cor vermelha, se aproxima de vocês e os cumprimenta com um sorriso gentil. Getō se adianta e faz o pedido do prato principal, depois volta a atenção para você, enquanto o garçom se distancia.



– Mas afinal o que vamos comer aqui, Sugutō? - você pergunta não se aguentando mais de curiosidade.


– É um prato tradicional dessa região. Se chama fukagawameshi e dizem que existe desde a era Edo. - ele responde, as frases acompanhando um sorriso de satisfação.


– O que vem de diferente nele?


– Uma espécie de marisco chamado amêijoa. - a voz dele termina a frase em tom mais baixo, um brilho rápido aparece no olhar castanho dele, mas você estava faminta demais para notar.


O pedido de vocês não demora a chegar, para sua alegria. Cada um recebeu uma bandeja servida com uma pequena tigela ao centro com marisco, alho poró, arroz e alga cortada bem pequena; outra continha uma sopa de cor amarela e com alguns pequenos cubos que você identificou serem tofu; e um pequeno pires com pepino em conserva. Os anos morando no Japão te ajudaram a, com o tempo, identificar com facilidade alguns ingredientes mais comuns da culinária do país, o que se tornava uma benção pois evitava situações constrangedoras, como ter que comer o que não gostava por mero desconhecimento.

Vocês esperam o garçom se afastar e se preparam para comer:


Itadakimasu! - vocês agradecem, simultaneamente, pela comida. 


Getō mexe a cabeça indicando para você começar a comer e um sorriso aparece no canto dos lábios finos. Você então cede ao incentivo dele e pega a tigela com arroz, desejando saber o que tanto ele queria que você descobrisse com o prato. Se servindo de uma pequena porção do arroz com os mariscos, logo sente o calor do arroz umedecido em um caldo e começa a mastigar. Seu olhar se aperta como se estivesse sorrindo, tamanha satisfação. Não lembrava a última vez de ter comido mariscos - talvez em seu último ano no Brasil -, mas reconhecer a sensação de maciez e riqueza de sabor de um prato com esse tipo de fruto do mar te alegra verdadeiramente. Você leva outra porção à boca antes de experimentar a sopa da outra tigela. O perfume agradável do caldo invade suas narinas e o primeiro gole lhe arranca um novo sorriso com a sensação energizante. O sabor encorpado dos mariscos combinado com missô tornavam aquela sopa diferente das outras que você já tinha experimentado da culinária japonesa. Você não notara que enquanto se perdia em pensamentos e sensações com a comida, Getō a observava, o rosto apoiado em uma das mãos, cujo cotovelo ele mantinha sobre a mesa ao lado da própria bandeja. Ele deixa escapar uma risada, o que tira você dos devaneios e ao olhar para ele percebe o ar de divertimento no semblante calmo. 


– Então você gostou, pelo visto.. - ele comenta começando a se servir da comida.


– Como descobriu esse lugar? - você questiona após uma pausa para terminar de mastigar: – Essa comida é tão gostosa..


– Meu velho comentou uma vez sobre esse restaurante, parece que é de um conhecido dele, então pensei em te trazer pra experimentar a comida. - ele fez uma breve pausa para beber da sopa. – Ele até se ofereceu em avisar ao dono que a gente viria, quando mandei mensagem comentando mais cedo.


Você concorda e sorri se sentindo agradecida. Amava comer, e descobrir comidas diferentes e saborosas era uma das atividades divertidas que você e Getō faziam no tempo livre.

A refeição de vocês seguiu silenciosa, porém o clima estava relaxado, você aproveitando cada detalhe do fukagawameshi e se sentindo aquecida a cada vez que deglutia. Você sugere repetirem o prato e horas transcorrem com a espera e apreciação de uma nova rodada, você e Getō aproveitando a agradável companhia um do outro.



Tendo terminado de comer, Getō paga a conta mas, antes de vocês saírem, são servidos com uma bebida oferecida como cortesia. O líquido não é alcoólico, mas parece uma espécie de chá gelado, e o sabor de algo que lembra canela te incentiva a beber sem pestanejar. Getō faz o mesmo. Vocês saem e seguem caminhando calmamente, lado a lado, até a estação de metrô, enquanto retomam conversas rápidas. O novo destino agora era a Escola Técnica de Jujutsu, mais precisamente o dormitório, já que demoraria muito se fossem voltar para sua casa.


⚜️⚜️⚜️⚜️


A tarde já está presente e com ela um pouco de frieza no clima. Seu vestido não possui mangas, porém você se sente estranhamente aquecida mesmo sem agasalho, e pensa que o calor da sopa deve ter contribuído para isso. Getō, por sua vez, vestido de uma camisa com manga, aparentava estar com calor, você tendo percebido um pouco de suor escorrer a partir da orelha dele e seguir numa fina linha pelo pescoço. 


– Sugutō, está tudo bem? Você está suando um pouco.. - você toca o pescoço dele, secando o suor.


– Ah, sim… Está tudo bem, pequena. - Getō olha rapidamente para você, as maçãs do rosto levemente vermelhas, enquanto responde com rapidez. – Acho que escolhi a camisa errada para nosso passeio hoje. Não imaginei que a sopa fosse... aquecer tanto assim meu corpo.


Você apenas concorda com um aceno de cabeça enquanto entram no metrô e buscam um local para sentar. Como é você a estrangeira desacostumada com o clima local, nada lhe resta além de aceitar a explicação dele, se contentando em imaginar que um banho ao retornarem resolveria tudo. Ou talvez não.

        O ar condicionado do transporte não amenizou o calor que, antes agradável, agora ganhava um novo aspecto em seu corpo. Você sente o calor descer até sua intimidade e a sensação te alarma os sentidos. Seus lábios formigam levemente e você passa a língua ao redor deles enquanto cobre a boca discretamente com uma das mãos. Getō lhe lança um rápido olhar e o braço dele mais próximo de você se movimenta, até a mão encontrar a sua, e ele a segura com delicadeza. Você então percebe que a mão dele também está um pouco suada. Dessa vez você não tem coragem de olhar o rosto dele porque percebe que aquele toque em sua mão lhe traz uma sensação um tanto inapropriada para o local e momento em que se encontram: excitação.

        Você se culpa por isso. O dia com Getō foi tão agradável e até romântico, então por que raios você estava com desejos sexuais sentada em um banco de metrô? ‘Qual é o seu problema, Jundo??’, você se questiona pausadamente em repreensão a si mesma. Será que o que sua irmã havia dito horas atrás era de fato o seu caso? Estava subindo pelas paredes? Getō estava sendo tão amável, será que você não podia controlar seus desejos por um momento? Você nem percebe  o tempo passar e a estação final de vocês chegar, tamanha é sua distração com seus próprios pensamentos. O movimento de Getō se levantando te desperta e você o acompanha. Vocês caminham até a Escola de Jujutsu, os dois em silêncio, e você não percebe os passos de Getō se tornarem apressados, se deixando guiar por ele, enquanto ordena sua própria mente a voltar para o lugar racional que o momento pedia.

        As luzes dos corredores da Escola já estavam acesas, indicando o início da noite. Quase não há alunos aos domingos durante o dia, pois é quando todos aproveitam as folgas para descansarem ou realizar alguma atividade de lazer fora dos muros de feiticeiros. Getō e você caminham corredor adentro, e o escuta dizer algo como beber um pouco de água, mas sua mente estava longe demais para assimilar a mensagem por completo. Você não percebe em que momento entram no quarto dele, mas sua atenção volta para o presente ao ouvir o barulho da porta se fechando. Getō então solta sua mão para tocar a si mesmo no pescoço onde escorria uma nova linha de suor. Enquanto o fazia, caminha até uma mesa em sua cabeceira contendo uma garrafa de água e destampa, virando a garrafa com rapidez, e toma um longo gole do líquido. Você acompanha com o olhar o que ele fazia, mas uma de suas mãos você coloca sobre o próprio peito procurando respirar com calma, e com a outra você aperta o tecido do vestido sobre sua coxa, numa tentativa inútil de, mais uma vez, controlar seus pensamentos.


– Ei... Sugutō… acho que.. preciso tomar… um pouco de ar… lá fora... - sua fala sai mais pausada do que você gostaria, tendo formulado a frase mais sensata que conseguiu naquele instante. – Acho que… exagerei na comida..


No entanto, o que você fala não corresponde ao que quer fazer e, a mão que antes sentia seus próprios batimentos cardíacos, se adiantaram começando a desabotoar o vestido, a partir da gola. A atitude se acelerou ao perceber Getō parar de beber a água e voltar a atenção para você, os olhos com um brilho misterioso, a vermelhidão do rosto tendo alcançando os lóbulos das orelhas, a mecha de cabelo próxima da testa nitidamente molhada pelo suor da região. Você não sabe o que havia de excitante naquela imagem dele, mas pouco importava descobrir a essa altura.


– Mas se você vai sair… por que está.. abrindo a roupa? - a respiração dele é pesada e sua expressão um tanto incrédula. Ele então se adianta para a gaveta da mesa de cabeceira e pega o controle do equipamento de ar. – Espera, pequena… Vou ligar.. o ar condicionado…


O ar frio começa a percorrer o cômodo, mas agora suas duas mãos continuam a se desfazerem do vestido, exibindo a curva dos seus seios e o início de sua barriga. Você caminha em direção a Getō que tateia a mesa de cabeceira para depositar o controle, o olhar, entretanto, perplexo em sua direção e os lábios entreabertos no que parecia a tentativa de dizer algo.


– Jun … - ele não continua, engolindo em seco.


– Desculpe Sugutō… mas… eu acho que esse calor… que tô sentindo… não vai passar… com ar condicionado.. - você está arfando. Já nem sabia onde tinha largado sua razão: talvez na última estação antes de vocês desembarcarem, ou quem sabe no último passo antes de entrar no quarto do seu namorado. Por mais à vontade que se sentisse com Getō e confiança que tinha nele, você está tomada de vergonha com tamanho atrevimento de sua parte. Mas, por qualquer motivo, você não quer voltar atrás com as palavras, pelo contrário: espera que Getō perceba os sinais e te livre de um novo constrangimento. Sua frase seguinte sai como um sussurro: – Acho que... só você pode resolver…


Os botões do vestido terminam e num movimento desajeitado você se livra da peça, que escorrega até seus pés.




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