Livro da 2° Pétala - Capítulo 1. Abrigo

Capítulo 1. Abrigo

Você espreguiçou-se enquanto olhava novamente a paisagem pela janela da sala. Sentada em uma das cadeiras de jantar, tocando despretensiosamente a xícara enquanto seu chá esfriava um pouco mais, você buscava recobrar o ânimo no tímido frio da tarde de maio. Embora reservasse o prazer de manter os interessados longe das incessantes luzes agitadas de Tóquio, a província de Tachikawa te mantinha mais próxima do frio da estação, devido ao privilégio de estar mais em meio a ambientes tão arborizados. 'Saudades de meu clima tropical e quente', você pensou consigo mesma, enquanto soprava o conteúdo da xícara e sorvia o primeiro gole.


Casa de Amai Risu em Tachikawa, Japão

Havia tanta paz em uma casa como aquela, mas você sentia saudades mesmo era de estar mais próxima dos outros: não só da agitação da casa de sua família, em meio a tantas conversas e o entrar e sair de gente - embora há quase 3 anos não os via -; mas de fazer missões junto com seu time da Escola Técnica de Feiticeiros de Tóquio. Sem perceber, você sorri lembrando do comportamento expansivo e bagunceiro de Gojō, do ar de desinteresse de Shoko e do jeito acolhedor de Getō. Sim. Naquele momento, olhar o rosto calmo e falsamente angelical de Suguru Getō era o que você mais desejava e, embora soubesse que não bastaria apenas olhar para ele, sabia que aquilo já lhe traria o calor no coração de que precisava.

Fazia 2 dias que você havia despertado da hibernação e sentia que seu corpo estava cada vez mais acostumado com as gradativas reduções do processo de recuperação de energia enquanto feiticeira. Para quem já tinha enfrentado períodos de 1 ano em adormecimento, sendo monitorada pelo comitê da Escola e representantes da família, aqueles 3 meses não significavam realmente nada. A dormência muscular e a readaptação com as luzes externas custavam a passar, porém você ficava cada vez mais otimista com a possibilidade de reduzir a hibernação a mortais 8h de sono, como é possível pra outros seres humanos. Principalmente porque intercalar esses períodos com os treinamentos e as poucas missões que conseguia fazer, reduzia e muito seu tempo livre para ser o que mais gostava: uma mulher de quase 19 anos. Não fosse a proximidade com os, então, amigos de time, a intensidade de seus treinos e o namoro de quase 3 anos com Getō, você poderia dizer com total confiança que não viu sua adolescência acontecer. Toma outro longo gole do chá levemente adoçado e por fim se levanta ao perceber que o pôr do sol não demoraria.


- É isso que fazem as pétalas, não é? - exclama suspirando timidamente enquanto leva a xícara até a pia. - Vamos Jundo Risu! Tomar um bom banho e recuperar esses dias sem graça! - completa, erguendo os braços para o alto como numa torcida para si mesma.


Caminha até o banheiro e toma o prometido banho quente, tendo saído de fato mais disposta. Ainda com a toalha nas mãos, secando as pontas do cabelo, você escuta uma conversa animada vindo da rua. Reconhecendo as vozes, se aproxima rapidamente e abre a porta, notando a chegada de seus amigos que já se anunciavam nas risadas de Gojō e Shoko. Getō, por sua vez, já mais próximo aos degraus finais que levavam à porta, estava silencioso e ao levantar o olhar na direção que você está, percebe olheiras no rosto dele e o quanto estava abatido. Seu sorriso foi se apagando ao vê-lo naquele estado. Antes de proferir as primeiras palavras para ele, você é surpreendida ao sentir o ímpeto do corpo forte te abraçar, o rosto dele enterrado em seu peito, quase de joelhos aos seus pés.

Algo estava errado.

Sem se importar com a pequena toalha nas mãos, você deixa que caísse no chão para envolver aquele que te abraçava. Impossível acolher ombros tão largos como os de Getō, mas ao menos tocar aquele corpo tenso que lhe apertava o busto permitiria transmitir um pouco dos seus sentimentos por ele. Àquela altura o próprio Gojō e Shoko haviam cessado o falatório, percebendo a primeira expressão espontânea do amigo, após dias de comportamento evasivo e cabisbaixo. Passaram longos segundos até que você faz sinal para que eles entrem, enquanto dá um leve tapinha nas costas de Getō, encorajando-o.

O que se seguiu foram 2 horas de conversas com Gojō contando as próprias proezas nas últimas missões que haviam realizado, e os episódios de quase morte que viveram ao tentar garantir a segurança de Riko Amanai. As notícias sobre a morte da garota e os estragos causados por Toji Fushiguro já tinham chegado aos seus ouvidos através de Yaga sensei que, logo após seu despertar, foi visitá-la como de costume. 

Enquanto jantou com eles, você tentou manter ao máximo o clima descontraído, incentivando inclusive Getō a conversar, embora ele permanecesse distraído em seus pensamentos. Você vai até mesa de centro acender alguns incensos Hana no chi enquanto dava corda a conversa dos amigos:


- Ei, Gojō, soube que você levou bronca por esquecer de suspender uma barreira.. - você comenta não disfarçando a risada que estava quase a escapar.


Gojō pigarreou com a comida na boca, sem disfarçar a surpresa ao perceber seu conhecimento do fato. 


-  Yaga sensei vem aqui especialmente pra contar dos fracassos, não é?! Ele mencionou os feitos do PODEROSO SATORU GOJŌ nas últimas missões? - questionou debochado enquanto olhava por cima dos seus óculos escuros.


- Hamm?! Nem precisava! - Shoko interviu sarcástica, enquanto balançava uma latinha de cerveja: - Você sempre deixa vestígios de trapalhadas nas nossas missões, Gojō..


Rimos. Gojō olhou para ela com uma careta e tratou de encenar seus momentos "épicos" de batalhas, se glorificando.


⚜️⚜️⚜️⚜️


Já passava das 20h quando Shoko e Gojō se despediram, você os acompanhou com o olhar enquanto sumiam na esquina da rua. Até Shinjuku teriam que viajar durante 40 minutos de trem. Getō foi dispensado por alguns dias por Yaga sensei, que percebeu seu estado apático desde o incidente. 

Você sente a brisa fria da noite e resolve se recolher, trancando a porta e abrindo as cortinas para cobrir as janelas envidraçadas. Você percebe que Getō permaneceu sentado no mesmo canto do sofá desde o término do jantar, mas agora estava adormecido, a cabeça repousava sobre o recosto do móvel e o rosto, finalmente relaxado, tinha alguns fios de cabelo espalhados. Desejava tanto reencontrá-lo para poder beijar e trocar todo o tipo de intimidade, mas naquele momento você respira aliviada, percebendo que ao menos ele parecia estar melhor do que quando chegou.

Você caminha até ele e toca delicadamente seu ombro na intenção de acordá-lo:


- Sugutō.. Sugutō.. Acorde, vou te levar até o quarto... - disse você pausadamente e de modo a não assustá-lo, seu rosto o encarando com curiosidade.


- humm... - Suguru  apertou um pouco as pálpebras antes de piscar duas vezes, aturdido. Viu então o seu rosto à frente e sorriu timidamente enquanto erguia a cabeça para olhar à sua volta.


- Todos já foram.. - você comenta ao perceber o semblante dele. E continua: - Você está bem?


Apoiado com o cotovelo direito sobre o recosto do sofá, e o rosto apoiado sobre o punho cerrado, Suguru respondeu balançando a cabeça afirmativamente enquanto comentava:


- Esses incensos que você tem são realmente bons... Estou bem melhor. 


Ele foi levantando do sofá e você acompanhou o movimento dele, erguendo seu corpo.


- Quer dizer então que agora eu tenho você só pra mim.. - ele brincou enquanto erguia a própria mão e acariciava seu queixo.


Um sorriso escapou dos seus lábios com a frase inesperada dele. Você levou sua mão para acariciar a mesma mão que ele lhe tocava o queixo, e respondeu algo que fez os esguios olhos de Getō brilharem:


-  É, Sugutō.. Agora EU tenho você só pra mim..


Getō levou as duas mãos em direção aos seus cabelos repletos de tranças, pressionando-os um pouco para trás enquanto seu rosto se aproximou a milímetros do seu, sendo possível sentir seu hálito quente já próximo da sua boca, os olhos penetrantes fixos nos seus.


- Só não pode se arrepender depois, pequena.. - ele sussurrou e  sorriu.


Eram momentos como esse que faziam você agradecer aos céus por sua pele negra. Do contrário, ficaria evidente o quão rubras estavam suas bochechas diante de tantos estímulos recebidos. Getō sabia ser sedutor, você tinha que admitir. Consciente ou inconscientemente, seus gestos despertavam tanta excitação em você que era difícil discernir até que ponto você não estava apenas envolvida com a paixão que sentia por ele. 

Antes que você pudesse dizer algo, a boca de Getō já tinha se apossado da sua, iniciando um beijo morno e terno, primeiro persuadindo você a abrir os lábios para ele pouco a pouco, depois a língua passeando pela sua boca, brincando graciosamente com a sua língua. Sem perceber você já estava na ponta dos pés e ergue umas das mãos até alcançar a nuca de Getō, pressionando-a gentilmente trazendo para si enquanto o beijo se prolongava. Sua outra mão percorre o peito dele, sentindo a rigidez dos músculos sob o suéter preto.

Você então afasta um pouco suas bocas e começa a depositar pequenos beijos por todo o rosto de Getō, voltando para mordiscar os lábios dele e recobrir com selinhos. Sua mão procura uma abertura na roupa dele desejando sentir o calor da pele nua, e ao achar começa a movimentar tentando retirá-la. Getō se desgruda de você o tempo suficiente para retirar a própria camisa tipo gakuran e em seguida te despir completamente. A intensidade do olhar dele sobre você aumenta sua excitação e fez seu sexo pulsar. A excitação dele também não passa despercebida, com a ereção acentuada ainda que sob a calça larga do uniforme escolar. 

Sem esforço, o braço de Getō envolve sua cintura e te ergue do chão, enquanto volta a te beijar. Você abre as pernas, acomodando a cintura dele e envolvendo-o, suas mãos voltam a percorrer num passeio lento o peito, passando pelos ombros e deslizando até os braços, depois subindo até tocar alguns músculos das costas. Era uma delícia sentir aquele calor e saber que Getō estava ali, inteiro para você. Ele percorre seu pescoço com beijos intercalados por leves mordidas e sugadas, provocando arrepios em todo seu corpo. Com uma das mãos espalmadas em suas costas, Getō puxa mais seu dorso em direção ao rosto dele, enquanto a boca percorre lentamente encontrando seus seios e os mordiscando. Você geme baixinho quando ele encontra seus mamilos marrons e brinca passando a ponta da língua ao redor deles, depois roça os dentes delicadamente para finalmente abocanhá-los pressionando entre os lábios em vigorosa sucção. Ele desliza o nariz entre seus seios, de cima para baixo e retorna o movimento, inspirando lentamente enquanto examina seu semblante e sussurra:


- Adoro seu cheiro... Você está me deixando louco, pequena... Eu não quero esperar mais..


Ouvi-lo faz você esboçar um sorriso no canto da boca e apertar as pernas ao redor dele, em resposta. Getō não perde tempo: localiza o interruptor, então caminha com você nos braços até se aproximar e o desliga, deixando apenas a luminária acesa sobre uma mesinha de apoio; prossegue se dirigindo com você até em frente ao sofá, sentando, porém, no tapete, apoiando as costas nos pés do sofá. Com as pernas abertas ao seu redor, ele te mantém acomodada entre elas, quase do mesmo jeito que suas pernas envolviam a cintura dele. Sim, sem que percebessem vocês estavam na posição a laçada, do kama sutra. Vocês iniciaam um novo beijo, agora comandado por você, com uma das mãos na nuca de Getō e outra nas mechas que soltaram do coque de cabelo dele. Ele, por sua vez, tateia os bolsos da calça até localizar a carteira e de dentro retirar uma camisinha.  Em movimentos rápidos ele abrie a própria calça e expõe o membro que estava sob a cueca, no ápice da ereção. O beijo é interrompido enquanto ele rapidamente coloca o preservativo, mas suas bocas logo voltam a se encontrar, ansiosas e ávidas pelo calor um do outro. 

Sentindo que já não tinha um pingo de controle sobre seu próprio corpo, você abraça o homem a sua frente, esfregando seus seios contra o peito musculoso dele, o que fazia seus mamilos ficarem cada vez mais rijos e sua pele arrepiada. Getō desliza as duas mãos pelas suas costas, até alcançar suas nádegas, envolvendo-os com as grandes mãos. Ele então ergue facilmente seu quadril, posicionando a entrada do seu sexo na ponta do membro ereto dele. Getō vai reduzindo aos poucos a força com que te segura, permitindo que seu membro comece a penetrar você de forma expansiva. Você estremece e deixa escapar um gemido entre o beijo, reconhecendo a deliciosa sensação que se anunciava. Seu sussurro ao pé do ouvido de Getō sai quase como um clamor:


- Já faz um tempo... Seja gentil, Sugutō...


Ele balança a cabeça em afirmação e vai liberando ainda mais o peso do seu corpo. O gemidos de vocês dois soa claro quando seu sexo é completamente penetrado pelo membro dele. Mesmo estando tão molhada, era inconfundível a sensação de rigidez, calor e pulsação do pênis de Getō dentro de você. Dominada pelo desejo, você esfrega lenta e repetidamente seu quadril contra o dele, sentindo seu clítoris ser estimulado ao roçar nos pêlos da virilha dele, enquanto se perde nos lábios de Getō num intenso beijo.

Segurando com firmeza em suas nádegas, Getō afasta seu quadril, fazendo o membro dele sair quase por completo de dentro de você. Você suspira e contrai o abdômen. Sem desviar aquele olhar sensual de você, ele lança um sorrisinho safado e começa a movimentar seu quadril para frente e para trás, fazendo o sexo dele entrar até a base e depois sair de dentro de você, numa provocação irresistível. Getō mantém aquele ritmo por longos minutos, numa espécie de dança sensual embalada pelos gemidos de vocês dois. 


- Oh céus... Sugutō... isso é delicioso! - você exclama com a voz quase falhando.


Você lança a cabeça para trás, ofegando entre os gemidos, empina as nádegas contra as mãos másculas de Getō e começa a rebolar sempre que sente a intimidade dele voltar a te penetrar. Getō não resiste e solta um gemido rouco. Você já está em êxtase, o ponto de alcançar o orgasmo, o que não passa despercebido por ele, que deixa que você se movimente à vontade até que um espasmo intenso tome conta de seu corpo, fazendo suas pernas tremerem e sua mente vaguear. Seguindo você, Getō se libera por completo, arfando e repousando a cabeça no assento do sofa logo atrás de si, e aproxima seu corpo do dele, te trazendo agora com o braço em volta de sua cintura. Você repousa a cabeça em seu peito, abraçando a região da cintura dele. Por instantes vocês ficaram ali, em silêncio, ouvindo o ritmo acelerado dos corações um do outro.

Getō afasta seu corpo gentilmente para retirar o preservativo e o coloca num canto após dar um nó, depois ergue o próprio corpo em direção ao assento do sofá, trazendo você com ele. Deitado, com as pernas entreabertas, acomoda seu corpo junto a ele. Usou uma manta que estava dobrada sobre o apoio do sofá para cobrir você. Com um dos braços dobrados apoiando a própria cabeça sobre a mão e com a outra mão livre pousada sobre seus cabelos fazendo cafuné, Getō adormeceu ali com você, sob a luz tímida da luminária e o frio modesto da noite de primavera.


Suguru Geto

 

Vocês não notaram, mas qualquer um que tivesse passado em frente à casa naquela noite, teria assistido o espetáculo sexual dos seus corpos se misturando, com sombras formadas sob as cortinas da sala.


...

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